sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O INCRÍVEL PODER DOS CHÁS


Dizem que no mundo todo, se bebe mais de um bilião de xícaras de chá por dia.
Culpa dos orientais, que não dispensam a bebida.

Pudera, além de aquecer corpo e espírito, os chás têm efeitos benéficos para uma porção de males.
Até mesmo os cientistas andam se ocupando em conferir as propriedades de vários deles.
Como o chá verde, que os pesquisadores suspeitam possuir propriedades anticancerígenas.
Além de um alto teor de flúor, efeitos antiinflamatórios, de fortalecimento dos vasos sanguíneos e do coração.


Embora simples, preparar chás exige alguns cuidados.
Primeiro, é bom saber que folhas e flores, se fervidos por mais que cinco a dez minutos perdem seus princípios ativos.
Logo, o melhor é fazer com elas infusões: uma colher de sopa de folhas lavadas, secas ou frescas, é colocada numa xícara e sobre ela, despeja-se um copo de água fervente.
Depois é deixar tampado por uns dez minutos, antes de beber.

Já as decocções são feitas deixando-se raízes, cascas ou talos de molho por cerca de 30 minutos, antes de levar ao fogo, por período que variam de cinco a trinta minutos.

"É o caso do gengibre, que auxilia na digestão de gorduras, e acelera a eliminação de toxinas. Além de seus conhecidos efeitos antigripais", acrescenta a bióloga e especialista em alimentação energética Renate Tirler, outra interessada no poder curativo das plantas.
Até mesmo o agrião, diz ela, por actuar no meridiano do pulmão, é óptimo contra tristeza e melancolia.
Da mesma forma, o quebra-pedra, além do uso consagrado, também é bom auxiliar em casos de síndrome do pânico e fobia. Isso porque, segundo a medicina tradicional chinesa, actua sobre o rim, que, funcionando mal, activa sentimentos como o medo.


Na medida certa
Outro cuidado a ter, é observar as medidas.
Mesmo produtos naturais podem ter efeitos tóxicos, quando em excesso.

Márcia Luvizoto ensina que uma colherzinha de café equivale a 2g de folhas secas, ou 4g de raízes; uma colher de sopa contém 5g de folhas secas ou 10g de raízes; enquanto um punhado tem mais ou menos 35g de folhas secas e serve para preparar meio litro de chá.
Adoçá-los, para a terapeuta, é quase heresia. No máximo, uma pequena colher de mel. De preferência, puro, para melhor aproveitar as suas qualidades.

Quatro a cinco xícaras são mais do que suficientes como dose diária.
Quantidades acima disso são desaconselháveis.

Os chineses costumam dividir os alimentos entre os que, de acordo com sua natureza, provocam calor ou frio.
O seu hábito de tomar chá morno, debaixo do sol quente causou enorme estranheza nos portugueses que chegaram a Macau.
A explicação, segundo a nutricionista, é simples. “Líquidos gelados em dias de sol forte fazem aumentar a diferença entre a temperatura interna do corpo — que baixa com os gelados — e a externa. Alimentos e líquidos mornos tendem a reduzir este desequilíbrio e a tornar mais confortável suportar o calor. Vale o mesmo para épocas de frio externo. Sempre tem que ter um chá ou alimento refrescante para não aumentar demais a diferença entre o interno e a temperatura ambiente”, explica.

Da mesma maneira, líquidos gelados após as refeições reduzem a temperatura interna e retardam a digestão, enquanto líquidos quentes facilitam o processo.
O ideal é que sejam tomados 30 minutos depois de comer.


Outro cuidado que se deve ter, é com a associação das folhas.
Afinal, uma erva tanto pode reforçar quanto enfraquecer a acção de outra, ou ainda ter efeitos antagónicos.
Logo, o melhor é não se aventurar em misturas sem conhecer as propriedades e possíveis resultados da combinação.

Chás são óptimos e seus efeitos terapêuticos melhores ainda.
Mas convém observar se as folhas são de boa qualidade, se não têm fungos ou mofo.
Também se desaconselha o uso prolongado de determinada erva.
Isso porque o organismo se acostuma e elas deixam de fazer efeito.


Receitinhas para todos os usos

A terapeuta Márcia Luvizoto ensina algumas formas de se aproveitar melhor as ervas.

Alface - Deite uma xícara de água fervente sobre 3 folhas de alface, e terá um excelente chá calmante e analgésico. É bom para amenizar a dor de cabeça.

Abacaxi - A casca de um abacaxi bem lavada e posta de molho em água mineral durante toda a noite. Levada ao fogo no dia seguinte, sem deixar ferver para evitar que se perca a vitamina C. Serve para tratar inflamações de garganta, melhorar cravos e espinhas.

Hortelã - 2 colheres de sopa para meio litro de água. Deixe ferver por 10 minutos para libertar os princípios activos. Coe antes de tomar. Bom para fazer expectorar e evitar muco. Também melhora cólicas menstruais, cálculos biliares e palpitações. “O que poucos sabem é que também é excelente para tratar casos de impotência masculina que sejam de origem emocional.”


Alguns problemas e os chás que os atenuam :

Ansiedade- chá de capim-limão (Cymbopogon citratus stapli) com gotas de limão e mel; chá de erva-cidreira (Melissa oficinallis)

Cálculo renal- decocção de palha de milho (Zea mays); decocção de raiz de salsa (Petroselinum sativam)

Chulé - infusão de louro (Laurus nobilis) para banhar os pés.

Cólicas intestinais- infusão de hortelã (Mentha piperita); infusão de aniz (Pimpinella anisum)

Má digestão- chá de carqueja (baccharis genistelloides)

Mau hálito- infusão de eucalipto (Eucalyptus globulus); infusão de alecrim (Rosmarinus officinalis)

Hemorróidas- chá de dente de leão (Taraxacum officinale); decocção de bardana (Arctium lappe)


Fonte: (Vilma Homero, "Planeta Vida", 23/10/2000)

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

MANGA um remédio que poucos conhecem

Saborosa, perfumada e rica em vitaminas, manga é remédio eficaz em vários casos.
Também é aliada na economia: é uma das principais frutas a alcançar o mercado internacional.

Espada, Bourbon, rosa, favo de mel, coração-de-boi, rosa, avião...
Estes são alguns dos sobrenomes de uma das mais saborosas e perfumadas frutas que se pode provar: manga.

A manga comparece no cardápio sob muitas formas: compotas, marmeladas, geleias, sucos.
Mas é ao natural que ela deixa o sabor mais inconfundível da sua polpa.
Uma das mais ricas frutas em conteúdo de vitaminas A e C, possui, igualmente, apreciável conteúdo de vitaminas B1, B2 e B5, além de ferro, cálcio, fósforo, proteínas e gorduras.

Segundo o pesquisador Alfons Balbach, em seu livro As Frutas na Medicina Doméstica, a manga “combate as bronquites mais rebeldes, tem propriedades antiescorbúticas, é depurativa de sangue e favorece a diurese.”

Expectorante valioso nas enfermidades das vias respiratórias, combate catarro, tosse e bronquite, quando usada em forma de xarope com mel de abelhas.
E, consumidas em jejum, também combate acidez e outras enfermidades do estômago, orienta o Dr. Ernest Schneider, autor de A Cura e a Saúde pelos Alimentos (Casa Publicadora Brasileira). “Diarréia e tuberculose são outras doenças em que o uso da manga é considerado”.

Delicada e difamada
A mangueira é uma planta tropical que se desenvolve bem em condições de clima subtropical. Originária do Sul da Ásia, a manga dispersou-se por todos os continentes, sendo cultivada actualmente em todos os países de clima tropical e subtropical.
A manga destaca-se como uma fruta de alto valor comercial em muitas regiões do mundo, principalmente as regiões tropicais.

Universalmente, é considerada uma das mais delicadas frutas do mundo e, além de ter seu valor alimentar reconhecido, a manga é a quarta fruta dos trópicos a alcançar o mercado internacional, depois da banana, do abacaxi e do abacate.

Essa fruta, rica em vitaminas e outros elementos importantes para o organismo, tem sido difamada por conta de preconceitos e tabus.
Um deles é considerá-la veneno quando misturada ao leite. Isso não passa de superstição.
Há também uma falsa informação de que manga é uma fruta pesada e indigesta, especialmente se ingerida no desjejum ou à noite.
Porém, em vez de prejudicar, tem grande importância como auxiliar dos movimentos peristálticos intestinais.

As vitaminas do complexo B, presentes em boa quantidade nas suculentas mangas, fazem parte das enzimas digestivas e da absorção dos nutrientes.
Sua carência no organismo torna impossível a ingestão equilibrada de carboidratos e proteínas, causando falta de apetite, fadiga, apatia e transtornos no crescimento.

A manga possui, ainda, boa quantidade de um mineral bastante útil ao equilíbrio dos líquidos no corpo: o potássio.
É verdade que ela perde para o abacate, a banana, a laranja e o mamão em potássio.
Mas sua quantidade é muito significativa.

Aliás, recentes pesquisas sugerem que o potássio pode ter ação anticancerígena.
Fósforo, magnésio e ferro, em menores quantidades, também estão presentes.
Eles entram na composição dos músculos, sangue, ossos, dentes e hormônios.

O principal valor da manga está em seu alto teor vitamínico, principalmente de vitaminas A e C, variando, no caso da C, conforme a qualidade da manga.
A rosa, por exemplo, é a que possui a mais elevada quota.
Da vitamina A, cuja matéria-prima é o betacaroteno, sabe-se que é o melhor combatente dos radicais livres.

Os radicais livres são considerados a ferrugem do corpo, provocando envelhecimento precoce. Devido ao alto teor de vitamina A, a manga é um excelente antioxidante do organismo.

Cientistas cubanos descobriram na casca de algumas variedades desta árvore tropical um potente anti-oxidante que melhora a qualidade de vida de pessoas afetadas pela síndrome de imuno-deficiência adquirida.


Fonte: Vida Integral

sábado, 26 de janeiro de 2008

O misterioso Planeta X

... ou será que estamos a falar do planeta Nibiru dos Sumérios?

"Os primeiros registros dos sumérios remontam mais de 3.000 anos antes de nossa era. Sua origem ainda permanece desconhecida. O que sabemos no entanto, é que os Sumérios possuíam uma cultura superior, plenamente desenvolvida, a qual impunham aos semitas, em parte ainda bárbaros.

Quanto aos seus deuses, estes os procuravam nos cumes da montanhas, ou, quando não haviam montanhas onde se encontravam, faziam aterros formando morros artificiais.

Conhecimentos e Tecnologia

A astronomia suméria era extremamente avançada. Seus observatórios eram capazes de obter cálculos do ciclo lunar que diferiam somente 0.4 segundos dos nossos cálculos atuais. Foi encontrado também, na colina de Kuyundjick (a antiga Nínive), um cálculo com impressionantes 15 casas, com resultado final igual a 195.955.200.000.000. Os gregos, no auge de seu saber, não se atreveram a ultrapassar o número 10.000, considerando tudo o que passasse deste valor como infinito.

Na cidade de Nipur, a 150 quilômetros de Bagdá, foi encontrada uma biblioteca sumeriana inteira, contendo cerca de 60.000 placas de barro com inscrições cuneiformes.

Suas tábulas de argila contém informações preciosas sobre o Sistema Solar.

O mais impressionante são os dados sobre Plutão – planeta só (re)descoberto em 1930!

Eles possuíam conhecimentos sobre o tamanho, composições químicas e físicas de Plutão e afirmavam que este era na verdade um satélite de Saturno que se “desprendeu” e ganhou nova órbita.

A Lua era por eles chamada de “pote de chumbo” e diziam que seu núcleo era uma cabaça de ferro.
Durante o programa Apollo, a NASA confirmou estes dados…

(...)
Os sumérios acreditavam que seus deuses vieram deste planeta (Nibiru) – “o décimo segundo planeta” – que completa uma volta ao Sol a cada 3.600 anos."


Leia mais no site fonte desta informação: http://osnefilins.tripod.com/


E pergunte-se:
Toda a História Humana estará mal contada?
A guerra do Iraque terá mais profundos interesses que o petróleo?


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Água ou Coca-Cola?



A ÁGUA:

Um copo de água corta a sensação de fome durante a noite para quase 100% das pessoas em regime.
É o que mostra um estudo na Universidade de Washington.

Falta de água é o fator nº 1 da causa de fadiga durante o dia.

Estudos preliminares indicam que de 8 a 10 copos de água por dia poderiam aliviar significativamente as dores nas costas e nas juntas em 80% das pessoas que sofrem desses males.

Uma mera redução de 2% da água no corpo humano pode provocar incoerência na
memória de curto prazo, problemas com matemática e dificuldade em focalizar uma tela de computador ou uma página impressa.

Beber 5 copos de água por dia diminui o risco de cancro no cólon em 45%, pode diminuir o risco de cancro de mama em 79% e em 50% a probabilidade de se desenvolver cancro na bexiga.


A COCA-COLA :

* Em muitos estados nos EUA os patrulheiros rodoviários carregam dois galões de Coca-cola no porta-malas, para ser usado na remoção de sangue das estradas, depois de um acidente.

* Se você puser um osso em uma tigela com Coca-Cola, ele se dissolverá em dois dias.

* Para limpar sanitas: despeje uma lata de Coca-cola dentro, deixe a "coisa" decantar por uma hora e então dê a descarga. O ácido cítrico da Coca-cola remove manchas na louça da sanita.

* Para remover pontos de ferrugem dos pára-choques cromados de automóveis:
esfregue o pára-choques com um chumaço de papel de alumínio (usado para embrulhar alimentos) molhado com coca-cola.

* Para limpar corrosão dos terminais de baterias de automóveis: despeje uma lata de Coca-cola sobre os terminais e deixe efervescer sobre a corrosão.

* Para soltar um parafuso emperrado por corrosão: aplique um pano encharcado com Coca-cola sobre o parafuso enferrujado por vários minutos.

* Para remover manchas de graxa das roupas: despeje uma lata de Coca-cola dentro do tanque com as roupas com graxa, adicione detergente e bata em ritmo regular.
A Coca-cola ajudará a remover as manchas de graxa.


Para sua informação:

O ingrediente activo na Coca-cola é o ácido fosfórico.
Seu PH é 2.8.
Ele dissolve uma unha em cerca de 4 dias.
Ácido fosfórico também rouba cálcio aos ossos e é o maior contribuidor para o aumento da osteoporose.

Há alguns anos, fizeram uma pesquisa na Alemanha para detectar o porquê do
aparecimento de osteoporose em crianças a partir de 10 anos (pré-adolescentes).
Resultado: excesso de Coca-cola, por falta de orientação dos pais.

Para transportar o xarope de Coca-cola, os camiões comerciais devem ser
identificados com a placa de "Material Perigoso" que é reservado para o transporte de materiais altamente corrosivos.

Os distribuidores de Coca-Cola têm usado a coca para limpar os motores dos seus camiões há pelo menos 20 anos.

Mais um detalhe: A Coca Light tem sido considerada cada vez mais pelos médicos e pesquisadores como uma bomba de efeito retardado, por causa da combinação Coca + Aspartame, suspeita de causar lúpus e doenças degenerativas do sistema nervoso...


E agora... a pergunta é:

...vai um copo de água ou um copo de Coca-Cola?"


fonte: http://bemalimentado.blogspot.com

História da Astrologia VIII (da Babilónia à Internet)

William Lilly

O período mais recente da história da astrologia

Com a obra de William Lilly, a Astrologia tem um de seus últimos grandes momentos, antes de duzentos anos de declínio.

É importante citar dois astrólogos do século XVII, Morin de Villefranche (1583-1650), que publicou a obra Astrologia Gallica [36], e seu contemporâneo inglês, William Lilly (1602-1682), que publicou o livro Christian Astrology [37], ambos extremamente úteis aos astrólogos até os dias de hoje.

Pode-se dizer que a astrologia sobreviveu ao Renascimento mas, no início do período moderno, três factos foram derradeiros:

1) a criação da Academia de Ciências por Colbert, em 1666, sem incluir a astrologia [38];
2) o decreto de Luís XIV, em 1682, condenando a difusão dos almanaques astrológicos;
3) a proibição, a partir de 1710, da impressão das Efemérides e das tábuas de casas.

Dessa maneira, a astrologia caiu no ostracismo e passou a ser vista com olhares desconfiados.

Conforme Arkan Simaan, "foi o famoso 'caso dos venenos' que veio, entretanto, pôr fim à moda da astrologia na alta sociedade, por causa do horror que suscitou e, principalmente, porque incentivou Luís XIV e Colbert a proibirem tais atividades" [39].

O caso dos venenos envolvia alguns astrólogos na morte por envenenamento de crianças e cônjuges de seus clientes.
Foucault, ao contrário, afirma que as práticas condenadas pelo decreto de 1682 não desapareceram, pois o rigor da lei foi diminuindo passo a passo. [40]

Como vimos, a astrologia tornou-se marginal, por isso, misturou-se com outros saberes, mascarou-se e fragmentou-se para poder sobreviver.
As sociedades secretas conservaram a astrologia, considerando-a uma ciência fundada na natureza.
Os almanaques rurais, que forneciam informações de plantio, colheita, calendário, etc., também sobreviveram.

Vale ressaltar que, na Inglaterra, a história é um pouco diferente, pois os ingleses continuaram praticando e publicando astrologia, principalmente depois do movimento teosófico (1875).

Em Portugal, parece que não houve nenhum tipo de proibição, e os almanaques astrológicos continuaram sendo impressos, apesar da sua progressiva descaracterização [41].

Em 1930, circula o primeiro jornal com uma secção de astrologia, o Sunday Express e, em 1932, surgem os primeiros horóscopos na revista feminina, Journal de la Femme.

Começa um novo boom da astrologia, ainda mais incentivado pelas facilidades informáticas da segunda metade do século XX.
Pode-se dizer que, numa tentativa de se adequar a um certo modelo de cientificidade, a astrologia foi "psicologizada" e estudada por método estatístico, com os trabalhos de Paul Choisnard (1867-1930) e Michel Gauquelin (a partir de 1949).

Actualmente, apesar do preconceito que ainda vigora, devido às modificações que sofreu ao longo do tempo para poder sobreviver, a astrologia vem sendo admitida vagarosamente no mundo académico, constituindo um objecto de estudo, de rico material histórico, filosófico, pedagógico, enfim, multidisciplinar.


[36] MORIN, J.B. Astrologia Gallica. Tradução de Richard S. Baldwin (do original em latim de 1661). Washington: AFA, 1974
[37] LILLY, W. Christian Astrology. Londres: Regulus Publishing Co, 1985 (fac-símile de 1647)
[38] Essa decisão política compõe o cenário de um "projeto" de modernidade, cujo ideal de reflexão autônoma do sujeito, é iniciado por Descartes. As formas de conhecimento baseadas na semelhança, como é o caso de, pelo menos, parte da astrologia, não faziam parte desse projeto. [cf. FOUCAULT, M. Arqueologia das Ciências e História dos Sistemas de Pensamento. Tradução de Elisa Monteiro. RJ: Forense Universitária, 2000 - p. 10 (Coleção Ditos e Escritos II)
[39] SIMAAN, A. A imagem do mundo: dos babilônios a Newton. Tradução de Dorothée de Bruchard. SP: Companhia das Letras, 2003 - p. 264
[40] FOUCAULT, M. História da loucura na idade clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Neto. SP: Editora Perspectiva, 2002 - p. 96
[41] cf. CAROLINO, L.M. A escrita celeste: almanaques astrológicos em Portugal nos séculos XVII e XVIII. RJ: Access, 2002 - p. 81


DA BABILÓNIA À INTERNET
Uma breve História da Astrologia

por Cristina Machado
http://www.constelar.com.br

História da Astrologia VII (da Babilónia à Internet)

Pico della Mirandola

Os primórdios da ciência moderna e o declínio da cosmologia aristotélica

Uma das excepções a esse florescimento da astrologia no Renascimento foi Pico della Mirandola (1469-1533).
Na sua obra, Disputationes, critica a mistura de religião e ciência que ocorre na astrologia.
Para ele, o equívoco da astrologia decorre de dois fatores:
1) sua origem caldaica e egípcia, povos que, segundo ele, eram inaptos ao saber
2) não é rigorosa, mas pretende sê-lo.

O fascínio da astrologia, para Pico della Mirandola, é o seu caráter compósito, ciência e arte, que estimula a curiosidade e a cobiça humanas, além de lhe atribuir um ar de verossimilhança.
Para ele, há também uma tendência à veneração de tudo que é antigo, o que confere à astrologia um ar de sapiência e autoridade.
Pico della Mirandola fez uma história da astrologia para liquidar com o que ele considerava uma pseudociência [26], pois achava que ela não tinha rigor metódico nem critérios lógicos.
Para ele, o astrólogo visa apenas a glória e o lucro, pois sua atitude mental é no sentido de suscitar espanto e admiração. [27]


Copérnico

Nesse cenário, Copérnico (1473-1543) demonstra a teoria heliocêntrica, Galileu (1564-1642) aponta seu telescópio para o céu e a verifica, e Kepler (1571-1630) formula algumas de suas leis.

Kepler e Galileu eram astrólogos, mas concebiam a astrologia de maneira crítica, especialmente Kepler, que, segundo Fuzeau-Braesch, "situou assim, pela primeira vez, a astrologia entre as concepções científicas novas: ela permaneceu decididamente geocêntrica como ainda o é em nossos dias, e isso baseando-se em uma experiência terrestre afirmada, anunciando já posições modernas recentes" [28].

Esse é o contexto de transição para a ciência moderna, para um mundo cuja imagem é totalmente diferente da imagem anterior, pois há uma ruptura entre o mundo dos sentidos e o mundo da ciência, até então considerados coincidentes: o universo agora é infinito, e o céu e a Terra gozam do mesmo estatuto ontológico.

Segundo Koyré, "A grande inimiga da Renascença, do ponto de vista filosófico e científico, foi a síntese aristotélica, e pode dizer-se que sua grande obra foi a destruição dessa síntese." [29]

Paulo Rossi rejeita a idéia de que o heliocentrismo seja o único responsável pelo "fim" da astrologia.
Ele considera discutível o pressuposto embutido nessa ideia de que a ciência progride contínua e linearmente sem erros.
A astrologia continuou viva após Copérnico, entrelaçada à astronomia, à filosofia, etc.
As discussões sobre o sistema copernicano e o universo como máquina prosseguiram depois de Copérnico, já que Kepler fazia mapas astrológicos e Newton estudava astrologia, entre outros conhecimentos considerados ocultos. [31]

Stephen Hawking, por sua vez, atribui o declínio da astrologia no mundo moderno ao deslocamento do "lugar" do determinismo.
Para ele, as leis de Newton e as outras teorias físicas deslocaram esse objeto de desejo do homem, o determinismo, da astrologia para a ciência.
Hawking associa a ideia de determinismo científico, formulada pela primeira vez no século XIX por Laplace, à astrologia, da seguinte maneira: "(…) se o determinismo científico for válido, deveríamos, em tese, ser capazes de prever o futuro e não precisaríamos da astrologia". [33]
Galileu

A Igreja, que tinha apostado tudo na compatibilização do pensamento aristotélico com o cristianismo, gradativamente foi perdendo seu papel de portadora da verdade absoluta, e as Escrituras começaram a ser entendidas, pelo menos no meio científico-filosófico, como uma escrita simbólica.
A tese da dupla verdade mencionada anteriormente [34], supostamente averroísta, foi reafirmada por Galileu, o que o levou a ser acusado pela inquisição.
Mas esse foi um passo determinante para a ciência moderna, pois a ciência passou a constituir um ramo de estudo independente da religião. Segundo Camenietzki, "O cientista pode até mesmo estar estudando a obra de Deus, mas ele não mais guia as suas acções por princípios das Escrituras" [35].

[26] Para não soar anacrónico, é importante lembrar que o termo "pseudociência", usado em pleno Renascimento, não tem a mesma conotação de hoje em dia, assim como a própria noção de "ciência".
[27] cf. ROSSI, P. A ciência e a filosofia dos modernos. Tradução de Álvaro Lorencini. SP: UNESP, 1992 - p. 40
[28] FUZEAU-BRAESCH, S. A astrologia. Tradução de Lucy Magalhães. A astrologia. RJ: Jorge Zahar Editor, 1990 - p. 59
[29] KOYRÉ, A. Estudos de história do pensamento científico. Tradução de Márcio Ramalho. RJ: Forense universitária, 1991 - p. 47
[30] CAMENIETZKI, C.Z. A cruz e a luneta. RJ: Access, 2000 - p. 67
[31] cf. ROSSI, P. A ciência e a filosofia dos modernos. Tradução de Álvaro Lorencini. SP: UNESP, 1992
[33] HAWKING, S. O universo numa casca de noz. Tradução de Ivo Korytowski SP: Arx, 2001 - p.104
[34] cf. seção anterior, p.15
[35] CAMENIETZKI, C.Z. A cruz e a luneta. RJ: Access, 2000 - p. 93

História da Astrologia VI (da Babilónia à Internet)


Renascimento

Três factores parecem fundamentais para o boom astrológico desse período: as universidades, a imprensa e a penetração da astrologia mágica de origem árabe.

A partir do século XIII, com a criação das universidades na Europa, a astrologia era leccionada junto com a medicina, pois só assim se acreditava poder conhecer a constituição do paciente. Dessa maneira, foi sendo desenvolvida uma astrologia erudita, que participava das cortes dos soberanos e dos papas.

Em 1453, com o advento da imprensa, as efemérides e tábuas de casas passaram a ser publicadas, assim, os astrólogos não precisavam mais fazer cálculos difíceis e demorados para estabelecer os mapas, e não precisavam mais ser astrónomos ou matemáticos.
Esse facto parece ser relevante para entender a popularização da astrologia nesse período.

Como mencionado anteriormente, no início da Idade Média, manteve-se uma astrologia latina de origem popular [24].
Além disso, com o declínio da expansão árabe, a astrologia misturou-se com elementos mágicos, penetrando na Europa também com um apelo popular.

Na sua contextualização do ideal da Renascença, Alexandre Koyré informa que a astrologia era mais importante que a astronomia, e que os astrólogos gozavam de um status de respeitabilidade, exercendo inclusive funções públicas. [25]
Nesse período, a ciência começou a expandir-se consideravelmente, estimulada talvez pelo retorno às fontes antigas e pelos grandes descobrimentos.

[24] cf. nota 22 - p. 14
[25] KOYRÉ, A. Estudos de história do pensamento científico. Tradução de Márcio Ramalho. RJ: Forense universitária, 1991 - p. 47


DA BABILÓNIA À INTERNET
Uma breve História da Astrologia

por Cristina Machado
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